Dra. Kelly  Aparecida Oliveira  Gonçalves
Advogada e sócia  fundadora do  escritório Terras  Gonçalves  Advogados

No mês em que homenageamos as mães, a Revista Giro Morumbi traz uma entrevista especial com a mãe, esposa, advogada e empreendedora Dra. Kelly Aparecida Oliveira Gonçalves.

Ela fala da sua missão diária, das dificuldades que a pandemia imprimiu à sua vida e da satisfação que é acompanhar o crescimento do seu escritório, que mantém em sociedade com o marido Dr. Alex Araújo Terras Gonçalves, ao mesmo tempo que companha o crescimento dos filhos Júlio Cesar, de 10 anos e Joaquim de 5 anos.

Revista Giro Morumbi – A senhora é advogada em qual especialidade do Direito?

Dra. Kelly Aparecida Oliveira Gonçalves – Sou advogada e sócia fundadora do escritório Terras Gonçalves Advogados, em parceria com o meu esposo. Minha especialidade são as questões voltadas ao Direito Imobiliário e ao Direito de Família e Sucessões. Também opero como corretora de imóveis.

 

Revista Giro Morumbi – Como concilia a sua jornada profissional com as atividades de mãe e gestão do lar?

Dra. Kelly Aparecida Oliveira Gonçalves – Não é uma tarefa fácil, conciliar o papel de mãe, administradora do lar, advogada e empreendedora. Na verdade, essa é uma dificuldade para a maior parte das mulheres hoje em dia e estou certa de que essa dificuldade se tornou ainda maior com a pandemia. É muito complicado conciliar e fazer essa divisão de tarefas diariamente, como ajudar as crianças com as aulas online, cuidar das tarefas domésticas (tenho uma pessoa que me ajuda, mas durante a fase vermelha ela ficou em casa) e ajudar o meu sócio e marido a gerir o escritório. É bem corrido e cansativo, mas ao mesmo tempo prazeroso e recompensador por estar perto dos nossos filhos. Acompanhar e participar efetivamente do crescimento dos meninos e acompanhar a evolução do escritório é muito importante e gratificante.

Revista Giro Morumbi – Quais as principais dificuldades desse acúmulo de atividades? E quais os benefícios?

Dra. Kelly Aparecida Oliveira Gonçalves – A maior dificuldade, sem sombra de dúvidas, é o cansaço mental. São muitas responsabilidades ao mesmo tempo, o que nos traz a sensação algumas vezes de que nada está bem-feito. Em contrapartida, o maior benefício é poder estar com a família, ver o crescimento dos filhos e ao mesmo tempo crescer profissionalmente, saber que os filhos vão crescer e lá na frente eu continuarei com minha vida profissional.

 

Revista Giro Morumbi – Como avalia o atual papel da mulher da sociedade brasileira?

Dra. Kelly Aparecida Oliveira Gonçalves – Nós conquistamos muitas mudanças importantes, inclusive no tocante aos direitos das mulheres e estamos em constante evolução. Claro que esse não é mundo ideal ainda, mas a maioria não aceita e não concorda com a sociedade machista e autoritária que fazia acreditar que a mulheres não são boas o suficiente para estarem em primeiro lugar, que podem ser donas de si mesmas. Hoje vemos mulheres chefiando grandes empresas e talentos femininos espalhados em todas as áreas. Aos poucos a mulher foi tomando conta do seu espaço que lhe é de direito e mostrando o seu valor em cada atividade que se propõe desenvolver.

 

Revista Giro Morumbi – Qual o arcabouço legal de proteção das mulheres e quais os principais avanços que a senhora destacaria?

Dra. Kelly Aparecida Oliveira Gonçalves – Certamente a Constituição de 1988 e ordenamentos jurídicos como a própria Lei Maria da Penha Lei Maria da Penha (11.340), sancionada em agosto de 2006 e que tem o objetivo de criar mecanismos para coibir a violência doméstica e familiar contra a mulher de forma a prevenir, punir e erradicar a violência contra a mulher, através de medidas protetivas; a Lei Carolina Dieckmann (12.737), sancionada em 2012 com o intuito de definir crimes cibernéticos no Brasil; a Lei do Minuto Seguinte (12.845), sancionada em 2013 e que oferece algumas garantias a vítimas de violência sexual, como atendimento imediato pelo SUS, amparo médico, psicológico e social, exames preventivos e o fornecimento de informações sobre os direitos legais das vítimas; a Lei Joana Maranhão (12.650), sancionada em 2015 e que alterou os prazos quanto a prescrição (prazo) contra abusos sexuais cometidos contra crianças e adolescentes, de forma que a prescrição só passou a valer após a vítima completar 18 anos, e o prazo para denúncia aumentou para 20 anos; e a importante Lei do Feminicídio (13.104), sancionada em 2015 e que diz que quando uma mulher é morta em decorrência de violência doméstica e familiar, menosprezo ou discriminação à condição de mulher, fica caracterizado o feminicídio, sendo considerado um crime hediondo em que a pena pode chegar a 30 anos de reclusão. Todo esse arcabouço legal constitui-se num grande avanço, mas ainda temos muito para evoluir.

 

Revista Giro Morumbi – Especificamente sobra a Lei Maria da Penha, qual o seu papel na prevenção da violência doméstica e como avalia o avanço dessa violência em todas as classes sociais?

Dra. Kelly Aparecida Oliveira Gonçalves – A lei Maria da Penha é a maior aliada da mulher na sociedade hoje em dia, principalmente nas classes mais baixas, porém, insisto, ela sozinha não faz milagres, existe ainda muita violência contra mulher, é preciso que haja ainda mais união das mulheres e da sociedade para combater a violência, que não vitima apenas a mulher e sim toda a família.

 

Revista Giro Morumbi – Em 2015 foi criado, pelo provimento 164 da OAB, o Plano Nacional da Advogada, que visava fortalecer os direitos da mulher. Esse projeto prosperou? Houve impacto na presença feminina nos fóruns e tribunais?

Dra. Kelly Aparecida Oliveira Gonçalves – Eu acredito que houve sim uma evolução do Direito Brasileiro em relação às mulheres, existem mais juízas, mais Desembargadoras, muitas mulheres advogadas, existem mais mulheres na presidência das Subseções. É um alento ver que o Direito brasileiro tem sido representado com uma maior presença feminina.

 

Revista Giro Morumbi – Qual a sua mensagem para a mãe, mulher e profissional brasileira?

Dra. Kelly Aparecida Oliveira GonçalvesMulher vá à luta, faça o que quiser!! Lute pelo que acredita. Não aceite julgamentos, se você trabalha não é boa mãe, se opta por cuidar dos filhos é preguiçosa! Pare de ouvir a tantas críticas, acredite nos seus sonhos e vá à luta. Seja lá a sua opção, de fazer tudo ao mesmo tempo, ou cada coisa de uma vez, só você sabe da sua verdade!

Por constatar a responsabilidade civil da empresa no descumprimento do contrato de depósito, a 1ª Vara do Juizado Especial Cível de Santo Amaro, em São Paulo, condenou a Smart Fit a indenizar os danos materiais de um cliente cujo celular foi furtado do armário da academia.

Cliente deixava pertences em armário da academia, de onde o celular foi furtado

Quando frequentava o local para prática de atividade física, o autor guardava seus pertences em armários com cadeados, disponibilizados pela própria academia.

“Se a requerida disponibiliza armários para os usuários, assume o dever
de guarda e deve zelar por tais bens, respondendo em casos de furto”, apontou a juíza Marina San Juan Melo. Segundo ela, o boletim de ocorrência comprovava o fato ilícito, enquanto a Smart Fit não trouxe elementos suficientes para impugná-lo.

A juíza, porém, não verificou aborrecimento que demandasse a reparação por danos morais. De acordo com a juíza, o desgaste para solucionar o impasse não configurou abalo psíquico profundo.

O valor da indenização fixada é de aproximadamente R$ 1,2 mil. Atuaram na causa os advogados Alex Araujo Terras Gonçalves e Kelly Aparecida Oliveira Gonçalves, sócios do escritório Terras Gonçalves Advogados.

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1065668-31.2019.8.26.0002